Quinze anos a cruzar manuscritos com neurociência moderna.
Sou de Vila Real. Cresci numa família católica, gente que resolve tudo com trabalho e com fé. Estudei Teologia em Fátima. Dediquei-me à investigação de textos antigos. E durante mais de duas décadas, carreguei uma ansiedade que me comia por dentro sem ninguém notar por fora.
Gastava cento e catorze euros por mês em medicação. Sei o valor exato porque, em março de 2019, o meu médico de família olhou para a minha ficha e disse-me: "Henrique, em vinte anos de clínica, nunca vi ninguém renovar esta receita tantas vezes sem questionar."
Até ao dia em que encontrei, num arquivo da Universidade Hebraica de Jerusalém, uma tradução que ninguém me tinha mostrado em trinta anos de carreira. E tudo começou a fazer sentido. Não no dia seguinte. Mas em oito dias.